Pular para o conteúdo

Vera Canhoni

Psicanálise: técnica psicanalítica e investigação inconsciente associação livre e atenção flutuante

Técnica psicanalítica – investigação inconsciente – associação livre

O processo da associação livre é constitutivo da técnica psicanalítica de investigação do inconsciente e está entre os pilares que sustentam as premissas da psicanálise. Desde os Estudos sobre a Histeria (1895) de Sigmund Freud, especificamente com o caso Anna O (1895) esta técnica se desenha no processo de construção da teoria psicanalítica.

Associação livre – regra fundamental

Sem quaisquer preocupações quanto à ordem cronológica dos fatos, julgamento de valores ou sentido previamente definido a regra fundamental da associação livre  permite ao analisando falar livremente e exprimir indiscriminadamente todos os seus pensamentos ou ideias.

Desse modo  coloca fora de jogo a censura entre o consciente e o pré-consciente, bem como revela certas defesas inconscientes entre o pré-consciente e o inconsciente.

Acessar os conteúdos inconscientes por meio da fala livre e espontânea possibilita ao analisando a oportunidade para conectar ideias reprimidas e alcançar os elementos capazes de liberar certos afetos, lembranças ou representações responsáveis pelos seus sofrimentos e sintomas.

Atenção flutuante – atividade inconsciente

Mas, se o analisando deve seguir a regra fundamental da associação livre a fim de acessar os conteúdos de seu inconsciente, cabe ao analista, de modo correspondente, pautar a sua escuta na atenção uniformemente flutuante, ou seja, deixar funcionar livremente sua própria atividade inconsciente e suspender tendências pessoais, preconceitos ou pressupostos teóricos a fim de acessar e descobrir as conexões inconscientes no discurso do analisando.

 

A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não se misturam.
Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância.
De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido desgovernado.
Assim eu acho, assim é que eu conto. O senhor é bondoso de me ouvir.
Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data.
O senhor mesmo sabe.

João Guimarães Rosa

ROSA, G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986

Marcações:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.