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Vera Canhoni

Psicanálise: A criatividade como arco fundante – parte 4/4 – Vera Canhoni

A criatividade como arco fundante

Nessa medida, seja adulto, adolescente ou criança, o analisando (re) encontrará o enlace entre o estabelecimento da capacidade pessoal para o viver criativo (estado saudável); em outras palavras, a oportunidade para alcançar novas experiências que, não raro, se desdobram nessa espécie de “alegria” enraizada no sentimento de estar vivo; experimentando e fruindo a vida na base de um viver original e criativo em oposição ao viver a vida na base da submissão.

Assim, aceitar que o tempo e o ritmo – desenhados como “arcos flutuantes” nas vicissitudes do processo analítico – sustentem as ondulações e modulações daqueles que se vêem às voltas com o desejo de chegar e/ou partir, de aprofundar e/ou permanecer na superfície, de comunicar e/ou não comunicar – são as pontes que constroem os caminhos e as passagens para aspectos ou facetas em estado de matéria ou “pedra bruta” aguardando lapidar.  

Autorizar-se a empreender nessa rica viagem rumo às facetas do mundo interior, construindo novas pontes – ora nas camadas mais profundas ora nas camadas mais superficiais da experiência – com seus infinitos “arcos e pedras”, promoverá ricas oportunidades para ser um agente da experiência analítica e protagonista da própria história.

Como uma rica experiência de travessia – ao carregar em seu cerne um potencial transformador – a implicação analítica estará reservada, àqueles que precisam, querem e se dispõem a desfrutar dos gestos mais criativos e originais que se constroem no solo ou ponte do campo analítico, nos alicerces da “magia” do arco sustentando a fecunda experiência de estar sozinho na presença e companhia de alguém.

https://www.veracanhoni.com/evento/on-line-grupo-estudo-winnicott/

Referências Bibliográficas:

CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das letras, 20 edição. Tradução Diogo Mainardi, 1990.

WINICOTT. D.W. A criatividade e suas origens. In: D.W.Winnicott. O Brincar e a Realidade. Trad. José Octavio de Aguiar Abreu e Vanede Nobre. Revisão: Francisco de Assis Pereira. Rio de Janeiro: Imago, 1975. (Trabalho original publicado em 1971)

______ Da teoria do instinto à teoria do ego: estabelecimento da relação com a realidade externa. In: D.W.Winnicott.  Natureza Humana. Trad. Davi Litman Bogomeletz. Rio de Janeiro: Imago, 1990. (Trabalho original publicado em 1962)

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