Pular para o conteúdo

Vera Canhoni

Compulsão à repetição e resistência – Freud em pequenas doses

Compulsão à repetição e resistência

 

A fim de tornar mais fácil a compreensão da “ compulsão à repetição” que surge durante o tratamento psicanalítico dos neuróticos, temos de livrar-nos da noção equivocada de que aquilo com que estamos lidando em nossa luta contra as resistências seja uma resistência por parte do inconsciente.

O inconsciente, ou seja, o “reprimido” não oferece resistência alguma aos esforços do tratamento. Na verdade, ele próprio se esforça por outra coisa que não seja irromper através da pressão que sobre ele pesa, e abrir seu caminho à consciência ou a uma descarga por meio de alguma ação real.

A resistência durante o tratamento origina-se dos mesmos estratos e sistemas mais elevados da mente que originalmente provocaram a repressão.

Evitaremos a falta de clareza se fizermos nosso contraste não entre o consciente e o inconsciente, mas entre o ego coerente e o reprimido.

É certo que grande parte do ego é, ela própria, inconsciente, e notavelmente aquilo que podemos descrever como seu núcleo; apenas pequena parte dele se acha abrangida pelo termo “pré-consciente”.

Podemos dizer que as resistências do paciente originam-se do ego e então imediatamente perceberemos que a compulsão à repetição deve ser atribuída ao reprimido inconsciente.

Não há dúvida de que a resistência do ego consciente e inconsciente funciona sob a influência do princípio do prazer; ela busca evitar o desprazer que seria produzido pela liberação do reprimido.

É claro que a maior parte do que é reexperimentado sob a compulsão à repetição, deve causar desprazer ao ego, pois traz à luz as atividades dos impulsos instintuais reprimidos.

Isso, no entanto, constitui desprazer de uma espécie que já consideramos e que não contradiz o princípio de prazer: desprazer para um dos sistemas e, simultaneamente, satisfação para outro.

 

para saber mais..

 

FREUD, S. Psicologia de grupo e análise do ego In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira, volume 18. Além do princípio de prazer, Psicologia de grupo e outros trabalhos. (1920 -1922) Trad. Sob a direção de Jayme Salomão. Rio de Janeiro, Imago, 1994.

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *