Do caderno de aprendiz
Poesia é a descoberta das coisas que eu nunca vi
Oswald de Andrade
Eu queria ser banhado por um rio como
um sítio é.
Como as árvores são.
Como as pedras são.
Eu fosse inventado de ter uma garça e outros
pássaros em minhas árvores.
Eu fosse inventado como as pedrinhas e as rãs
em minhas areias.
Eu escorregasse desembestado sobre as grotas
e pelos cerrados como os rios.
Sem conhecer nem os rumos como os
andarilhos.
Livre, livre é quem não tem rumo.
Barros, M. Poesia Completa. São Paulo. Leya, 2010
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