Poesia – Fernando Pessoa
Quero-te para sonho…não para te amar
Dorme enquanto eu velo…
Deixa-me sonhar…
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.
A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.
Dorme, dorme, dorme,
Vaga em teu sorrir…
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.
Eventos
PESSOA, F. Ficções do Interlúdio: organização Fernando Cabral Martins. São Paulo, Companhia das Letras, 1998