Pular para o conteúdo

Vera Canhoni

Ensaios Poéticos: alma indiferente- Vera Canhoni

Ensaios Poéticos: alma indiferente – Vera Canhoni

Alma indiferente

Não vês que minha alma indiferente

não sente, não vibra, não vive…

Que eu nunca devia ter nascido assim descrente,

Que pranteio o fado de existir que eu tive?

 

Sou sem Deus, sem lei, e sem amor

Sem “eu”, apesar de eu também ser

Não tenho crenças e sinto horror

de crer que eu não sei crer

 

Se tenho alma, não sinto

Ela deve ser dura como o granito

maior que o infinito

E mentir mais do que eu minto

 

Nem sem bem porque existe

Este meu olhar todo circeu

Nesta minha face triste

Se o resto há muito já morreu

 

Procuro às vezes quando a noite é linda

Caminhar a estrada cheia de abrolhos

E já faz muito e eu tenho ainda

Mas falta luz pra estes meus olhos…

 

 

E tu, se chegas, tem cuidado

Por mim tantas passaram sorridentes

E ao pecarem, por pecado

Partiram quase todas tão descrentes

 

Se amanhã tu foges apressada e triste

Oh! Nunca venhas me abraçar sorrindo,

Não chegues e ao chegar partindo

Eu venha a soluçar porque partiste

 

Se vieres traz tua alma imaculada

Eu te receberei todo sem medo

E minha boca já não calada

Vai te contar baixinho o meu segredo

Dinoê

meu pai (em memória)

 

http://www.veracanhoni.com/evento/oficina-clinica-psicanalitica-e-poesia-entrelacamento-vera-canhoni/

Oficina – Clínica psicanalítica e poesia: entrelaçamento – Vera Canhoni

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.