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Vera Canhoni

Origem da capacidade de envolvimento 2/2 – Winnicott em pequenas doses

Origem da capacidade de envolvimento 2/2 – 

Winnicott em pequenas doses

 

Capacidade de envolvimento – experiência de integração

O envolvimento surge na vida do bebê como uma experiência sumamente complicada de integração, na mente da criança, da mãe-objeto (ou detentora do objeto parcial que pode satisfazer as necessidades do bebê) com a mãe-ambiente (ou pessoa que afasta o imprevisível e cuida ativamente da criança).

Concomitantemente ao relacionamento do bebê com a mãe ambiente, há o relacionamento com o objeto baseado no instinto, ou seja, o objeto é usado implacavelmente; sem que se levem em conta as consequências instintivas.

As pulsões instintuais levam ao uso implacável de objetos e depois a um sentimento de culpa que é dominado e aliviado pela contribuição que o bebê pode fazer para a mãe-ambiente.

Oportunidade de dar e de fazer reparação

A oportunidade de dar e de fazer uma reparação, oportunidade essa que a mãe-ambiente oferece através da sua presença confiável, capacita o bebê a tornar-se cada vez mais audacioso na vivência de suas pulsões do id.

Desse modo, a culpa não é sentida mas permanece adormecida, ou potencial, e só aparece (como tristeza ou estado de ânimo deprimido) se a oportunidade de reparação não aparecer.

Quando se estabelece a confiança nesse ciclo benigno e na expectativa da oportunidade, o sentimento de culpa em relação às pulsões do id se modifica.

Capacidade de envolvimento – oportunidade para a reparação

A criança está agora se tornando capaz de se envolver, de assumir a responsabilidade por seus próprios impulsos instintuais e pelas funções ligadas a eles. Isso fornece um dos elementos construtivos fundamentais do brincar e do trabalho.

Em poucas palavras, a não-sobrevivência da mãe-objeto ou o fracasso da mãe-ambiente em propiciar uma oportunidade confiável para a reparação leva à perda da capacidade de envolvimento e à sua substituição por angústias cruas e por defesas cruas tais como a clivagem ou desintegração.

 

WINNICOTT. D.W. Privação e Delinqüência. Trad. Álvaro Cabral, 3aed. São Paulo: Martins Fontes, 1999

 
 
 
 
 
 
 
 

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