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Vera Canhoni

Poesia – Manoel de Barros – O muro – muro ancião – alma de gente

 

O Muro

Não possuía mais a pintura de outros tempos.

Era um muro ancião e tinha alma de gente.

Muito alto e firme, de uma mudez sombria.

Certas flores do chão subiam de suas bases

Procurando deitar raízes no seu corpo entregue ao tempo.

Nunca pude saber o que se escondia por detrás dele

Dos meus amigos de infância, um dizia ter violado tal segredo,

E nos contava de um enorme pomar misterioso.

Mas eu, eu sempre acreditei que o terreno que ficava atrás do muro era um terreno abandonado!

Manoel de Barros

Barros, M. Poesia Completa. São Paulo. Leya, 2010

 

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