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Nas tramas das relações intersubjetivas

 

 

Em cada entrega há uma metamorfose e o que se entrega jamais se pode voltar a possuir.

É certo que às vezes o ser nos é devolvido depois de amado.

Mas embora pareça que é sempre o mesmo, acaba sempre de renascer.

Ramón Sampedro

 

 

Abordar o tema das relações intersubjetivas pressupõe considerar inúmeras e diversas formas de afetar e estar com o outro; seja nas relações familiares, entre homem e mulher e, obviamente, entre tantas outras que constituem os sujeitos em seus modos de ser.

As relações humanas se compõem de uma gama de sentimentos e, nuançadas numa série de tonalidades e intensidades se encontram acomodadas num leque extenso; diverso e peculiar.

Em doses bem ou mal temperadas, abrem-se os acessos para as construções mútuas e com elas às diferentes formas e manifestação de amor, em cujos desdobramentos encontramos traços de confiança e comprometimento, de solidão e entrega, de exaltação e esperança, de certezas e incertezas tecidas na familiaridade ou estranheza dos vínculos e ligações.

Desse modo, por meio dos movimentos de idas e vindas que se tecem nas das vias da intersubjetividade e  inclinação ao outro, os seres se constituem e se transformam. E assim, no interjogo do atravessamento dos afetos, sensibilizam, comovem e inspiram; traçam laços com o outro e com desconhecidas facetas de si mesmos.

E nessa rede nuança de encontros e (des) encontros algo potencialmente transformador estará circunscrito na esfera dessa indispensável comunicação entre humanos.

Desde o princípio e ao longo de toda uma existência o ser humano é capaz de recolher os frutos das experiências e vivências com o outro; capaz de construir-se e constituir-se sempre e continuamente – ainda que não escape às marcas indeléveis de seu caráter singular.

Assim, por meio dos encontros com o outro e em face às infinitas possibilidades de rearranjar sua própria historia, cada um será capaz de estabelecer sua(s) própria(s) metamorfose(s) por entre as trilhas da bem-aventurada condição humana e da contingência de toda relação amorosa; para além do bem ou do mal.

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Sobre a Autora

Vera Canhoni
Formada em Psicologia pela FMU e com mestrado e doutorado em psicologia clínica pela PUC-SP, desenvolve e publica artigos sobre a clínica psicanalítica no contexto das manifestações analíticas, sobretudo com pacientes adultos e adolescentes.

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