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Manoel de Barros: perder o nada é um empobrecimento – Bordas do inconsciente


Meu fado é o de não saber de mim quase tudo.
 
Por isso sobre o nada eu tenho profundidades.
 
E eu disse no Livro sobre nada que “perder o nada é um empobrecimento”.
De que eu iria falar então se eu acho que o nada é tudo?
 
Todas as palavras, inclusive “pó”, estão emprenhadas de nada. Isto é: estão emprenhadas do que nos tornaremos.
 
Como posso acreditar que somos alguma coisa mais que nada?
 
Não tenho esse poder divino.
Cresci nos desvãos de mim. E não sei sair dele.
 
Acho que poderoso não é o homem que descobriu o ouro, mas o homem que descobriu o nada.
 
Sei que isso é negativo, mas eu não sei passar por cima de mim.

Manoel de Barros

Muller, A. Manoel de Barros, Rio de Janeiro Beco do Azougue, 2010

http://www.veracanhoni.com/psicanalise-atendimentos-clinicos-para-adultos-e-adolescentes-temporariamente-atendimentos-remotos

http://www.veracanhoni.com/evento/encontros-poesia-e-clinica-psicanalitica-a-escuta-poetica-do-analista/

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Sobre a Autora

Vera Canhoni
psicanalista, doutora em psicologia clínica pela PUC-SP. graduada em psicologia pela FMU-SP, realiza atendimentos clínicos presenciais e on-line, grupos de estudos, orientações e suporte ao processo de escrita de monografias e dissertações, bem como, desenvolve atividades e artigos sobre a clínica psicanalítica no contexto das manifestações poéticas e analíticas,

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