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Freud – oscilações inconscientes e livres associações – degustação psicanalítica – Vera Canhoni

Freud – oscilação inconsciente e livres associações – degustação psicanalítica – Vera Canhoni

 

Freud – oscilações inconsciente e livres associações  

Quando Freud proclamou que o psicanalista e o analisando estavam envolvidos em mútuas ondas de oscilação inconsciente, do transmissor (paciente) para o receptor (psicanalista), ele sugeriu que o analista e o analisando estivessem em comunicação inconsciente um com o outro.

 

Na psicanálise, o clínico usa um senso intuitivo para captar, elaborar e trabalhar as ações de transferência do paciente, conteúdos narrativos e livres associações.

 

Não importa sobre o que o paciente fale ou, na verdade, em que ocasiões o analista reúna conscientemente significados entre as narrações do paciente: o clínico elabora estas narrativas junto com suas associações.

 

Elaboração imaginativa do analista – narrativa do paciente

Na verdade, a elaboração imaginativa do analista sobre a narrativa do paciente é frequentemente menos organizada, se parece mais com a substância do processo primário do que a narrativa mais coerente do paciente.

 

O analisando – por mais que seja livre em suas associações – é ainda perturbado pela sensibilidade do discurso. Falar é ser coerente; mas o analista é livre para calar-se.

 

Muito do que pensa é mantido no mundo de silêncio absoluto, num mundo interno que aumenta mais o livre jogo de ideias: imagens, palavras, sentimentos, estados somáticos e afinidades corporais confluem num coro móvel de captação psíquica.

 

O paciente, sobrecarregado com a tarefa de narrar o self, fica restrito dentro de sua fala, enquanto ao psicanalista fica permitido o uso de uma gama mais ampla de associações livres internas.

 

Psicanalista faz associações – paciente luta com a carga retórica da narração

Enquanto o paciente fala, o psicanalista faz associações. Enquanto o paciente luta com a carga retórica da narração, o analista costuma perder-se em seus pensamentos. O paciente organiza o material que se desagrega na mente do analista quando este dissemina por várias vias psíquicas, exatamente como Freud fazia com seus próprios sonhos e os de seus pacientes.

 

Christopher Bollas

http://www.veracanhoni.com/evento/grupo-leitura-freud-processo-clinico-vera-canhoni/

 

Bollas Christopher. Sendo um personagem. Rio de Janeiro, Livraria e Editora Revinter Ltda,1998

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Sobre a Autora

Vera Canhoni
Formada em Psicologia pela FMU e com mestrado e doutorado em psicologia clínica pela PUC-SP, desenvolve e publica artigos sobre a clínica psicanalítica no contexto das manifestações analíticas, sobretudo com pacientes adultos e adolescentes.

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